Calculadora de Hidratação de Manutenção (Holliday-Segar)

O método de Holliday-Segar estima a necessidade hídrica de manutenção de crianças a partir do peso corporal.

Calcular a hidratação de manutenção

Informe o peso da criança.

Dados da criança
kg

Para que serve

O método de Holliday-Segar é o cálculo mais usado para estimar a necessidade hídrica de manutenção de crianças, ou seja, o volume de líquidos necessário para repor as perdas diárias normais (urina, fezes, perdas insensíveis). É a base do volume de fluidos de manutenção na pediatria hospitalar.

Como interpretar o resultado

O cálculo soma a necessidade hídrica por faixas de peso, conhecida como regra dos 100/50/20 mL/kg:

Faixa de pesoNecessidade hídrica
Primeiros 10 kg100 mL/kg por dia
De 10 a 20 kg+ 50 mL/kg por dia
Acima de 20 kg+ 20 mL/kg por dia
Manutenção = 100 mL/kg (≤10 kg) + 50 mL/kg (10–20 kg) + 20 mL/kg (>20 kg)

Exemplo

Para uma criança de 26 kg: 100 × 10 + 50 × 10 + 20 × 6 = 1000 + 500 + 120 = 1620 mL por dia, o que equivale a aproximadamente 67,5 mL/hora.

Apenas manutenção

Este cálculo estima somente o volume de manutenção. Ele não inclui a reposição de déficits prévios (desidratação) nem de perdas contínuas anormais (vômitos, diarreia, febre). Ajuste o volume conforme o estado clínico, o balanço hídrico e os eletrólitos da criança.

População validada

O método foi originalmente derivado por Holliday e Segar (1957) a partir de dados de gasto energético em crianças hospitalizadas, abrangendo lactentes e crianças desde o período neonatal até a adolescência. A publicação correlacionou o consumo calórico estimado ao peso corporal em três faixas (≤10 kg, 10–20 kg, >20 kg) e derivou as necessidades hídricas associadas ao metabolismo de cada faixa. A literatura descreve limitações em recém-nascidos prematuros, neonatos nas primeiras 72 horas de vida, obesos, pacientes com insuficiência renal, cardíaca, hepática ou em estados hipermetabólicos como queimados, nos quais publica-se que a fórmula pode superestimar ou subestimar a necessidade real.

Entradas, unidades e conversões

A entrada única é o peso corporal em quilogramas (kg). Para pesos registrados em gramas, divide-se por 1000 (ex.: 8500 g = 8,5 kg). A faixa plausível em pediatria publica-se entre cerca de 2 kg (neonato a termo) e 70 kg (adolescente). O resultado é expresso em mililitros por dia (mL/dia) e por hora (mL/h), obtido por divisão por 24.

Fórmula e cálculo passo a passo

Vdia (mL) = 100 × min(P,10) + 50 × min(max(P−10,0),10) + 20 × max(P−20,0)
Vhora (mL) = Vdia / 24

Onde P é o peso em kg e V é o volume hídrico de manutenção. A sequência aplica primeiro a faixa de até 10 kg (100 mL/kg), depois a faixa entre 10 e 20 kg (50 mL/kg por cada kg acima de 10) e por fim a faixa acima de 20 kg (20 mL/kg por cada kg acima de 20). Esses três componentes são somados.

Exemplo trabalhado: criança de 26 kg.
– Primeiros 10 kg: 100 × 10 = 1000 mL
– De 10 a 20 kg (10 kg): 50 × 10 = 500 mL
– Acima de 20 kg (6 kg): 20 × 6 = 120 mL
– Total: 1000 + 500 + 120 = 1620 mL/dia; dividido por 24 = 67,5 mL/h.

Limitações conhecidas

A literatura descreve que a fórmula não se aplica diretamente a recém-nascidos com menos de 14 dias de vida nem a prematuros, nos quais publica-se uso de protocolos específicos por superfície corporal e idade pós-natal. Em pacientes obesos, o cálculo com peso real pode superestimar a necessidade, sendo descrito o uso de peso ideal ou ajustado. Erros comuns de medida incluem pesos imprecisos por roupas e fraldas, conversão equivocada entre gramas e quilogramas e arredondamento. Em insuficiência cardíaca, renal, hepática ou síndrome da secreção inapropriada de ADH (SIADH), publica-se a necessidade de restrição hídrica. Em queimados, febre persistente, taquipneia, vômitos e diarreia, a literatura descreve aumento das perdas insensíveis ou anormais que não são contemplados pelo cálculo.

Fórmulas alternativas e comparação

Alternativas descritas na literatura incluem o método da superfície corporal (1500 mL/m²/dia), publicado como mais apropriado para crianças acima de 10 kg em alguns contextos oncológicos, e o método de Darrow, baseado em calorias metabolizadas. Para neonatos, publica-se o uso de protocolos volumétricos progressivos por dia de vida (ex.: 60–80 mL/kg/dia no primeiro dia, com aumento gradual). A regra 4/2/1 mL/kg/h é a transposição horária direta da fórmula de Holliday-Segar e é usada em ambientes intraoperatórios.

Origem e versão

Publicada originalmente por Malcolm A. Holliday e William E. Segar na revista Pediatrics, volume 19, número 5, em maio de 1957, sob o título "The maintenance need for water in parenteral fluid therapy" (DOI: 10.1542/peds.19.5.823). A versão implementada nesta calculadora corresponde à regra clássica 100/50/20 mL/kg/dia, conforme descrita no artigo original e replicada em manuais pediátricos contemporâneos.

Casos de teste

Cenários numéricos verificados contra a fórmula original:

  • Lactente de 7 kg: 100 × 7 = 700 mL/dia (~29,2 mL/h).
  • Criança de 15 kg: 100 × 10 + 50 × 5 = 1000 + 250 = 1250 mL/dia (~52,1 mL/h).
  • Adolescente de 50 kg: 100 × 10 + 50 × 10 + 20 × 30 = 1000 + 500 + 600 = 2100 mL/dia (~87,5 mL/h).

Resultados verificados contra exemplos descritos em Holliday & Segar (1957); reporte discrepâncias pelo e-mail abaixo.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? Confira se o peso foi digitado em quilogramas e não em gramas, e se o ponto decimal está na posição correta. Recalcule manualmente pela regra 100/50/20 mL/kg para validar.

Posso usar em recém-nascidos? A literatura descreve que a fórmula original não foi validada para neonatos nas primeiras semanas de vida nem para prematuros; nesses grupos publicam-se protocolos volumétricos progressivos por idade pós-natal.

Por que esta fórmula em vez do cálculo por superfície corporal? A regra 100/50/20 é descrita como mais simples e amplamente difundida em pediatria geral. O método da superfície corporal (1500 mL/m²/dia) publica-se como alternativa em populações específicas, como oncologia pediátrica.

O resultado inclui reposição de desidratação? Não. O cálculo estima apenas a manutenção fisiológica. Déficits prévios e perdas anormais (vômitos, diarreia, febre, drenagens) são tratados separadamente na literatura.

Em obesos devo usar peso real ou ideal? A literatura descreve que o uso do peso real em pacientes obesos pode superestimar a necessidade hídrica; publica-se o uso do peso ideal ou peso ajustado em algumas referências.

Referências

  1. Holliday MA, Segar WE. The maintenance need for water in parenteral fluid therapy. Pediatrics. 1957;19(5):823-832. doi:10.1542/peds.19.5.823. PMID 13431307.