Escore de Wells para TEP

Apresenta os critérios publicados do escore de Wells para estimar a probabilidade clínica de tromboembolismo pulmonar. A conduta diagnóstica é exclusiva do médico assistente.

Calcular o escore de Wells (TEP)

Marque os achados presentes no paciente.

Achados clínicos
Análise integrada — Decisão de imagem em TEV

Combine com d-dímero no painel Decisão de imagem em TEV.

Para que serve

O escore de Wells para TEP apresenta uma forma publicada de organizar achados clínicos em uma estimativa de probabilidade de tromboembolismo pulmonar. Esta página apresenta os critérios e o cálculo da pontuação descritos na literatura, sem orientar conduta diagnóstica ou terapêutica.

Como interpretar o resultado

Os itens têm pesos diferentes (1 a 3 pontos). Na versão de dois níveis publicada por Wells, escore 4 ou menos corresponde a um padrão de probabilidade descrito como TEP improvável e acima de 4 a um padrão de probabilidade descrito como TEP provável. Na versão de três níveis, < 2 é classificado como baixa, 2 a 6 como intermediária e > 6 como alta probabilidade. A interpretação dos números na rotina assistencial é exclusiva do médico responsável.

População validada

A literatura descreve que o modelo original de Wells foi derivado em coorte de 1.260 pacientes ambulatoriais e de emergência com suspeita de TEP, sem restrição estrita de idade ou sexo (Wells e cols., 2000). Estudos posteriores publicaram validações em populações de pronto-socorro adultas, com prevalência de TEP variando entre 9% e 26% conforme o cenário descrito nas diretrizes da ESC (Konstantinides e cols., 2020). Publica-se que o desempenho do escore é limitado em pacientes hospitalizados, em gestantes e em pacientes com comorbidades cardiopulmonares avançadas, onde estudos descrevem maior variabilidade do critério subjetivo "TEP é o diagnóstico mais provável".

Entradas, unidades e conversões

O escore utiliza sete itens binários (presente/ausente). A literatura descreve frequência cardíaca em batimentos por minuto (bpm), com o ponto de corte publicado em > 100 bpm. "Imobilização" é descrita como repouso no leito por pelo menos 3 dias consecutivos ou cirurgia geral/ortopédica nas últimas 4 semanas. "Câncer ativo" é definido na publicação original como neoplasia tratada nos últimos 6 meses ou em cuidado paliativo. Não há conversões de unidades. O somatório possui faixa publicada de 0 a 12,5 pontos.

Fórmula e cálculo passo a passo

Escore = 3·(sinais TVP) + 3·(TEP mais provável) + 1,5·(FC > 100) + 1,5·(imobilização/cirurgia) + 1,5·(TEV prévio) + 1·(hemoptise) + 1·(câncer ativo)

Cada parcela vale o peso publicado quando o critério está presente e zero quando ausente. A fórmula original calcula o somatório linear dos sete itens. A sequência descrita é: (1) marcar os achados presentes, (2) multiplicar cada um pelo peso publicado, (3) somar. Exemplo trabalhado: paciente com TEP como diagnóstico mais provável (3,0), FC = 112 bpm (1,5), TVP prévia (1,5) e hemoptise (1,0). Substituindo: 3,0 + 1,5 + 1,5 + 1,0 = 7,0 pontos. Na versão de três níveis publicada, esse valor corresponde ao padrão classificado como alta probabilidade (> 6).

Limitações conhecidas

A literatura descreve que o item "TEP é o diagnóstico mais provável" é subjetivo e estudos publicaram variação interobservador relevante (Konstantinides e cols., 2020). Publica-se que o escore não foi derivado para gestantes, e estudos descrevem o algoritmo YEARS adaptado para esta população. Erros comuns relatados na literatura incluem: contar imobilização inferior a 3 dias, classificar como "câncer ativo" neoplasias em remissão prolongada e duplicar o peso do item "TEP mais provável" com "sinais de TVP" quando ambos refletem o mesmo achado. Em pacientes com TEP recorrente ou doença cardiopulmonar grave, a literatura descreve menor especificidade do critério clínico isolado.

Fórmulas alternativas e comparação

A literatura publica o escore de Genebra revisado (Le Gal e cols., 2006) como alternativa que utiliza apenas variáveis objetivas, descrito como superior em cenários com múltiplos avaliadores. O PERC (Pulmonary Embolism Rule-out Criteria, Kline e cols., 2008) é descrito como ferramenta de exclusão em pacientes de baixo risco em pronto-socorro. O algoritmo YEARS (van der Hulle e cols., 2017) é descrito como alternativa simplificada de três itens combinada com d-dímero. Estudos comparativos publicaram desempenho global semelhante entre Wells e Genebra revisado.

Origem e versão

O escore original foi publicado por Wells PS, Anderson DR, Rodger M e cols. em Thrombosis and Haemostasis, 2000;83(3):416-420 (PMID 10744147). A simplificação dicotômica (improvável/provável) com ponto de corte em 4 foi publicada por Wells e cols. em Annals of Internal Medicine, 2001. A versão implementada nesta página é a clássica de sete itens com pesos fracionários, conforme reproduzida nas diretrizes ESC 2019 (Konstantinides e cols., 2020).

Casos de teste

Cenário 1: paciente sem nenhum critério presente — resultado esperado 0 pontos (padrão classificado como TEP improvável em ambas as versões). Cenário 2: TEP mais provável (3,0) + FC > 100 bpm (1,5) + hemoptise (1,0) = 5,5 pontos (padrão classificado como TEP provável na versão dicotômica; intermediária na versão de três níveis). Cenário 3: todos os sete critérios presentes — resultado esperado 12,5 pontos (máximo publicado). Verificada contra exemplos descritos em Wells e cols. (2000) e nas diretrizes ESC 2019; reporte discrepâncias.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? Confira se cada checkbox marca apenas critérios efetivamente presentes; o item "TEP mais provável" e "sinais de TVP" são frequentemente confundidos. Recalcule manualmente usando os pesos publicados (3, 3, 1,5, 1,5, 1,5, 1, 1) e compare. Em caso de discrepância persistente, reporte por e-mail.

Posso usar em gestantes? A literatura descreve que o escore de Wells original não foi validado em gestantes; estudos publicaram o algoritmo YEARS adaptado para esta população (van der Pol e cols., 2019). A aplicação em populações fora da derivação original é decisão exclusiva do médico assistente.

Por que esta fórmula e não Genebra revisado? Wells e Genebra revisado têm desempenho global semelhante na literatura publicada; Wells é descrito como mais difundido em diretrizes internacionais e utiliza menos variáveis, enquanto Genebra é descrito como mais objetivo. A escolha entre eles é exclusiva do médico assistente.

Apresentação de critérios publicados

O escore apresenta uma estimativa de probabilidade baseada em critérios publicados. A conduta diagnóstica e terapêutica é exclusiva do médico assistente, que avalia o quadro clínico, hemodinâmico e os exames complementares pertinentes.

Referências

  1. Wells PS, Anderson DR, Rodger M, et al. Derivation of a simple clinical model to categorize patients probability of pulmonary embolism. Thrombosis and Haemostasis. 2000;83(3):416-420. PMID 10744147.
  2. Konstantinides SV, Meyer G, Becattini C, et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. European Heart Journal. 2020;41(4):543-603. doi:10.1093/eurheartj/ehz405. PMID 31504429.