Escore CURB-65

Apresenta a pontuação CURB-65 publicada para pneumonia adquirida na comunidade. Não indica local de cuidado ou tratamento.

Calcular o CURB-65

Marque os critérios presentes no paciente.

Critérios de gravidade
Leitura complementar

Veja também a página de faixas de mortalidade do CURB-65, que reproduz percentuais publicados sem indicar conduta.

Para que serve

O CURB-65 é um escore publicado para estratificar gravidade em pneumonia adquirida na comunidade. O nome reúne as iniciais dos cinco critérios: Confusion, Urea, Respiratory rate, Blood pressure e idade ≥ 65.

Como interpretar o resultado

Cada critério vale 1 ponto, de 0 a 5. Nas publicações, 0 a 1 aparece como faixa baixa, 2 como faixa intermediária e 3 a 5 como faixa alta. A aplicação clínica depende de avaliação profissional.

Exemplo

Um paciente de 70 anos (1) com confusão mental de início recente (1) soma 2 pontos, faixa intermediária nas tabelas publicadas.

A clínica vem antes do escore

O CURB-65 pode subestimar a gravidade em jovens, em quem tem hipoxemia ou comorbidades descompensadas. A saturação de oxigênio, o estado geral e o suporte social pesam tanto quanto a pontuação.

População validada

A literatura descreve que o CURB-65 foi derivado e validado por Lim e colaboradores (2003) em estudo internacional prospectivo com 1.068 adultos hospitalizados com pneumonia adquirida na comunidade no Reino Unido, Países Baixos e Nova Zelândia [1]. A coorte original incluiu pacientes com mediana de idade próxima a 64 anos, ambos os sexos, sem restrição étnica explícita. Publica-se que a performance preditiva para mortalidade em 30 dias foi semelhante entre os centros. Estudos posteriores apontam limitações em populações fora do escopo original: pacientes ambulatoriais não-hospitalizados, imunossuprimidos, gestantes, crianças e residentes de instituições de longa permanência não compõem a amostra de derivação [1,2].

Entradas, unidades e conversões

O escore agrega cinco variáveis dicotômicas. A literatura descreve: confusão mental aferida pelo AMT ≤ 8 ou desorientação nova; ureia sérica > 7 mmol/L, equivalente publicado a > 50 mg/dL (fator de conversão 6,0 entre mmol/L e mg/dL para ureia); frequência respiratória ≥ 30 incursões por minuto; pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg; idade ≥ 65 anos [1]. Faixas plausíveis de sanity: ureia 5-300 mg/dL, FR 6-60 irpm, PAS 40-260 mmHg, idade 0-120 anos.

Fórmula e cálculo passo a passo

CURB-65 = C + U + R + B + idade≥65, com cada item ∈ {0, 1}

A fórmula original soma um ponto por critério presente, gerando um inteiro de 0 a 5 [1]. Os componentes: C = confusão (1 se presente); U = ureia > 50 mg/dL (1 se presente); R = FR ≥ 30 (1 se presente); B = PAS < 90 ou PAD ≤ 60 (1 se qualquer um); idade ≥ 65 anos (1 se presente). Sequência: 1) verificar cada critério; 2) atribuir 0 ou 1; 3) somar.

Exemplo trabalhado: mulher de 78 anos (idade=1), confusa na admissão (C=1), ureia 62 mg/dL (U=1), FR 24 irpm (R=0), PAS 110 mmHg e PAD 70 mmHg (B=0). Soma: 1+1+1+0+0 = 3 pontos, faixa alta nas tabelas publicadas [1].

Limitações conhecidas

A literatura descreve que o CURB-65 não foi validado para população pediátrica, gestantes, pacientes imunossuprimidos (HIV avançado, neoplasias hematológicas, transplantados) ou portadores de pneumonia hospitalar e associada à ventilação mecânica [1,2]. Erros frequentes incluem: confundir ureia com BUN (BUN ≈ ureia/2,14); aferir FR em paciente agitado ou sedado; usar a PA mais alta do prontuário em vez da admissional; classificar como confuso paciente com demência basal estável. Publica-se que o escore subestima gravidade em jovens hipoxêmicos sem os critérios clássicos, e que a NICE (NG138) recomenda considerar SpO₂, comorbidades descompensadas e condições sociais em conjunto com o CURB-65 [2].

Fórmulas alternativas e comparação

Concorrentes publicados incluem o PSI/PORT (Fine, 1997), que estratifica em 5 classes usando 20 variáveis, e o CRB-65, versão sem ureia para uso ambulatorial onde não há laboratório disponível [2]. A literatura descreve que o PSI tem maior acurácia preditiva para mortalidade e maior poder discriminativo para pacientes de baixo risco, enquanto o CURB-65 é mais simples e rápido. O CRB-65 é a versão sugerida pela NICE para atenção primária [2]. O SMART-COP avalia necessidade de suporte ventilatório intensivo, contexto distinto da estratificação CURB-65.

Origem e versão

O CURB-65 foi publicado por Lim WS, van der Eerden MM, Laing R e colaboradores na revista Thorax em maio de 2003, volume 58, edição 5, páginas 377-382, DOI 10.1136/thorax.58.5.377 [1]. A versão implementada nesta página segue exatamente os pontos de corte do artigo original: ureia > 7 mmol/L (≈ 50 mg/dL), FR ≥ 30, PAS < 90 ou PAD ≤ 60, idade ≥ 65 e confusão mental nova. Não foram aplicadas modificações posteriores.

Casos de teste

Cenários verificados contra a tabela do artigo original [1]: (1) Homem de 45 anos, sem confusão, ureia 30 mg/dL, FR 18, PA 130/80 → 0 pontos (faixa baixa). (2) Mulher de 72 anos com confusão nova, ureia 40 mg/dL, FR 22, PA 100/70 → 2 pontos (faixa intermediária: confusão + idade). (3) Homem de 80 anos confuso, ureia 80 mg/dL, FR 32, PA 85/55 → 5 pontos (faixa alta, todos os critérios). Verificada contra exemplos em Lim 2003; reporte discrepâncias pelo e-mail de contato.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? Confira: 1) ureia em mg/dL e não BUN; 2) FR aferida em 60 segundos; 3) PA da admissão, não a corrigida; 4) confusão de início recente, não basal. Discrepâncias persistentes podem ser reportadas pelo e-mail editorial.

Posso usar em paciente com pneumonia hospitalar? A literatura descreve que o CURB-65 foi validado em pneumonia adquirida na comunidade [1]. Pneumonia hospitalar e associada à ventilação mecânica não compõem a coorte original e a aplicação fora desse contexto não está validada.

Por que CURB-65 e não PSI/PORT? Publica-se que o CURB-65 usa 5 variáveis fáceis de coletar à beira do leito, enquanto o PSI exige 20 variáveis e estratifica em 5 classes [2]. A escolha entre ambos é editorial e depende do contexto de uso descrito na literatura.

Crianças podem usar? Não. A coorte de derivação incluiu apenas adultos [1]; pediatria utiliza escores próprios descritos em outras publicações.

E se faltar a ureia? A literatura descreve a versão CRB-65 (sem ureia) como alternativa publicada para ambientes sem acesso laboratorial imediato [2].

Referências

  1. Lim WS, van der Eerden MM, Laing R, et al. Defining community acquired pneumonia severity on presentation to hospital: an international derivation and validation study. Thorax. 2003;58(5):377-382. doi:10.1136/thorax.58.5.377. PMID 12728155.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Pneumonia (community-acquired): antimicrobial prescribing. NICE guideline NG138. 2019. nice.org.uk.