Calculadora de Índice de Choque

O índice de choque relaciona a frequência cardíaca e a pressão arterial sistólica para sinalizar instabilidade hemodinâmica.

Calcular o índice de choque

Informe a frequência cardíaca e a pressão arterial sistólica do paciente.

Sinais vitais
bpm
mmHg

Para que serve

O índice de choque é um marcador simples e rápido de gravidade, obtido dividindo-se a frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica. É usado na sala de emergência e no trauma para identificar precocemente pacientes com instabilidade hemodinâmica e risco aumentado, mesmo quando a pressão arterial isolada ainda parece normal.

Como interpretar o resultado

O valor normal fica em torno de 0,5 a 0,7. Valores mais altos indicam maior risco:

Índice de choqueInterpretação
0,5 a 0,7Faixa normal
0,7 a 0,9Limítrofe — vigilância
0,9 ou maisAlterado — risco aumentado
Índice de choque = frequência cardíaca (bpm) ÷ PAS (mmHg)

Exemplo

Um paciente com FC de 110 bpm e PAS de 100 mmHg tem índice de choque = 110 ÷ 100 = 1,10 — um valor ≥ 0,9, faixa descrita nas referências como associada a maior instabilidade hemodinâmica.

Limitações

O índice de choque é uma ferramenta de triagem e pode ser distorcido por medicamentos (betabloqueadores, vasopressores), arritmias, dor, febre e marca-passo. Ele não substitui a avaliação clínica completa nem a monitorização contínua do paciente grave.

População validada

O índice de choque foi descrito originalmente por Allgöwer e Burri (1967) em pacientes adultos com hipovolemia e estados de choque circulatório agudo1. A re-avaliação de Rady e colaboradores (1992) consolidou seu uso em adultos atendidos em unidades de emergência por falência circulatória aguda, com casuísticas predominantemente masculinas e idade média entre 50 e 70 anos2. A literatura publica que o ponto de corte ≥ 0,9 reflete instabilidade hemodinâmica em adultos não-gestantes. Em gestantes, crianças, idosos com cronotropismo limitado e pacientes em uso de betabloqueadores os limiares descritos diferem dos valores originais.

Entradas, unidades e conversões

A calculadora utiliza duas variáveis: frequência cardíaca em batimentos por minuto (bpm; faixa fisiológica plausível 30–220) e pressão arterial sistólica em milímetros de mercúrio (mmHg; faixa plausível 40–260). Não há conversão de unidades porque ambas são medidas universais. A literatura descreve a aferição da PAS de forma não-invasiva (esfigmomanômetro) ou invasiva (cateter arterial) — o valor utilizado deve corresponder à medição registrada no momento da avaliação clínica.

Fórmula e cálculo passo a passo

SI = FC (bpm) ÷ PAS (mmHg)

Significado de cada variável: SI é o índice de choque (adimensional); FC é a frequência cardíaca em batimentos por minuto; PAS é a pressão arterial sistólica em milímetros de mercúrio. A sequência de cálculo descrita por Allgöwer e Burri segue três passos: (1) registrar FC e PAS na mesma janela temporal; (2) dividir FC por PAS; (3) comparar o quociente com as faixas publicadas (0,5–0,7 normal; 0,7–0,9 limítrofe; ≥ 0,9 alterado).

Exemplo trabalhado: paciente com FC = 120 bpm e PAS = 80 mmHg. Substituindo na fórmula: SI = 120 ÷ 80 = 1,50. O valor obtido (1,50) está acima de 0,9, faixa descrita como alterada na literatura original1,2.

Limitações conhecidas

A literatura publica que o índice de choque sofre distorções em situações específicas. Pacientes em uso de betabloqueadores podem manter FC artificialmente baixa apesar de hipovolemia, produzindo SI falsamente normal. Vasopressores elevam a PAS, reduzindo o SI sem refletir melhora hemodinâmica real. Arritmias (fibrilação atrial, taquicardias supraventriculares) e marca-passo dissociam FC da volemia. Dor, febre, ansiedade e exercício recente elevam a FC por mecanismos não-hipovolêmicos. Erros comuns de medida incluem aferição da PAS em manguito de tamanho inadequado, uso de braço com fístula arteriovenosa ou medição em paciente em decúbito não-padronizado. A literatura descreve o SI como ferramenta de triagem, não de diagnóstico isolado.

Fórmulas alternativas e comparação

A literatura descreve variantes do índice de choque: o Modified Shock Index (MSI) usa PAM (pressão arterial média) no denominador, publicado como mais sensível em sepse; o Shock Index Pediátrico (SIPA) ajusta limiares por faixa etária; o Age Shock Index multiplica SI pela idade, validado em trauma geriátrico. A escala de ATLS classifica choque hemorrágico por perda volêmica estimada e sinais clínicos compostos. Cada ferramenta tem contexto descrito na literatura: o SI original permanece como triagem geral em adultos; MSI e variantes pediátricas/geriátricas surgiram para corrigir limitações da fórmula clássica.

Origem e versão

O índice de choque foi publicado originalmente por Martin Allgöwer e Carl Burri na revista Deutsche Medizinische Wochenschrift em 1967 (artigo "Schockindex"; DOI 10.1055/s-0028-1106070; PMID 5299769)1. A re-avaliação contemporânea de Rady, Nightingale, Little e Edwards foi publicada em Resuscitation em 1992 (DOI 10.1016/0300-9572(92)90006-x; PMID 1321482)2. A versão implementada nesta calculadora corresponde à fórmula original de Allgöwer-Burri (SI = FC ÷ PAS), com os pontos de corte clássicos (0,7 e 0,9) descritos nessas referências.

Casos de teste

Cenários numéricos verificados contra a fórmula publicada:

  • Caso 1: FC = 70 bpm, PAS = 120 mmHg → SI = 70 ÷ 120 = 0,58 (faixa normal).
  • Caso 2: FC = 100 bpm, PAS = 110 mmHg → SI = 100 ÷ 110 = 0,91 (faixa alterada, ≥ 0,9).
  • Caso 3: FC = 130 bpm, PAS = 70 mmHg → SI = 130 ÷ 70 = 1,86 (faixa alterada).

Resultados verificados contra a aritmética da fórmula publicada por Allgöwer e Burri (1967)1. Reporte discrepâncias ao endereço editorial abaixo.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? A literatura descreve que valores discrepantes da impressão clínica podem refletir uso de betabloqueador, vasopressor, arritmia ou erro de aferição. A conferência dos valores de entrada e da técnica de medida da PAS é o primeiro passo descrito nas referências.

Posso usar em gestantes ou crianças? A fórmula original foi validada em adultos não-gestantes1,2. A literatura publica variantes específicas (SIPA para pediatria; índices ajustados em obstetrícia) com pontos de corte diferentes. O SI clássico não é diretamente extrapolável a essas populações.

Por que esta fórmula e não a escala ATLS? O SI é descrito como ferramenta de triagem rápida que requer apenas dois sinais vitais. A escala ATLS classifica choque hemorrágico por composição de múltiplos parâmetros (perda volêmica estimada, frequência respiratória, débito urinário, nível de consciência) e é descrita na literatura como instrumento de classificação mais detalhado, com objetivo distinto do SI.

O resultado substitui a avaliação clínica? A literatura descreve o SI como marcador de triagem, não como substituto da avaliação clínica completa ou da monitorização contínua.

Referências

  1. Allgöwer M, Burri C. Schockindex [Índice de choque]. Deutsche Medizinische Wochenschrift. 1967;92(43):1947-1950. doi:10.1055/s-0028-1106070. PMID 5299769.
  2. Rady MY, Nightingale P, Little RA, Edwards JD. Shock index: a re-evaluation in acute circulatory failure. Resuscitation. 1992;23(3):227-234. doi:10.1016/0300-9572(92)90006-x. PMID 1321482.