Escala de Coma de Glasgow

Avalia o nível de consciência somando a melhor resposta ocular, verbal e motora. A pontuação vai de 3 a 15.

Calcular a Escala de Glasgow

Selecione a melhor resposta do paciente em cada categoria.

Respostas do paciente

Para que serve

A Escala de Coma de Glasgow padroniza a avaliação do nível de consciência em pacientes com traumatismo cranioencefálico, rebaixamento ou alteração neurológica aguda. Ela soma três respostas — ocular, verbal e motora — para gerar um valor único e reprodutível entre examinadores.

Como interpretar o resultado

A pontuação varia de 3 (pior) a 15 (melhor). Uma classificação usual considera 13 a 15 como trauma leve, 9 a 12 como moderado e 3 a 8 como grave. Sempre registre os três componentes separadamente (por exemplo, O3 V4 M5), pois a evolução de cada um tem valor clínico próprio.

Exemplo

Um paciente que abre os olhos ao chamado (3), está confuso (4) e localiza a dor (5) soma 12 pontos — rebaixamento moderado.

Avalie sempre o quadro completo

A pontuação pode ser limitada por sedação, intubação, afasia ou trauma de face. Anote essas situações e use a Escala como apoio, nunca como substituto da avaliação neurológica completa.

População validada

A literatura descreve que a Escala foi originalmente construída por Teasdale e Jennett (1974) a partir de uma coorte de pacientes adultos com traumatismo cranioencefálico avaliados na Unidade de Cirurgia Neurológica de Glasgow, Escócia[1]. Publica-se que a escala foi posteriormente validada em populações ampliadas — emergências adultas, terapia intensiva neurológica, vítimas de trauma multissistêmico e contextos pré-hospitalares — em revisão dos 40 anos de uso[2]. A literatura aponta limitações conhecidas em pacientes pediátricos pequenos (existem adaptações específicas), em pacientes intubados (componente verbal não testável), sob sedação profunda, com afasia, surdez ou trauma facial extenso que impeça a abertura ocular.

Entradas, unidades e conversões

A calculadora recebe três entradas categóricas, sem unidades físicas: abertura ocular (escala ordinal de 1 a 4), resposta verbal (1 a 5) e resposta motora (1 a 6). Cada item corresponde à melhor resposta observada. Não há conversões de unidade aplicáveis. O intervalo válido do somatório é de 3 (sem resposta em todas as categorias) a 15 (melhor resposta em todas). Valores fora desse intervalo indicam erro de preenchimento.

Fórmula e cálculo passo a passo

A fórmula original publicada calcula:

ECG = O + V + M

Onde O é a pontuação da abertura ocular (1–4), V é a pontuação da melhor resposta verbal (1–5) e M é a pontuação da melhor resposta motora (1–6)[1]. A sequência descrita pelos autores envolve: (1) observar a abertura ocular antes de qualquer estímulo; (2) se necessário, aplicar estímulo verbal e depois doloroso; (3) registrar a melhor resposta verbal obtida por comando ou estímulo; (4) registrar a melhor resposta motora, priorizando comando verbal e, na ausência, estímulo doloroso padronizado[2]. Exemplo trabalhado: paciente que abre olhos ao chamado (O = 3), apresenta fala confusa (V = 4) e localiza estímulo doloroso (M = 5). Substituindo na fórmula: ECG = 3 + 4 + 5 = 12. Registra-se O3 V4 M5 = 12.

Limitações conhecidas

A literatura descreve não-aplicabilidade direta em recém-nascidos e lactentes (publicou-se a Pediatric Glasgow Coma Scale para essa faixa)[2]. Erros comuns de medida incluem: confundir flexão normal de retirada (M = 4) com flexão anormal/decorticação (M = 3); pontuar a resposta verbal em paciente intubado como 1 sem anotar o sufixo "T" ou "NT" (não-testável); aplicar estímulo doloroso de forma não padronizada, alterando a melhor resposta motora; e somar valores sem registrar os três componentes separadamente — publica-se que a desagregação por componente tem valor prognóstico próprio[2]. A literatura recomenda alternativas como a FOUR Score (Full Outline of UnResponsiveness) em pacientes intubados ou com lesão de tronco, onde os componentes verbal e ocular padrão são limitados.

Fórmulas alternativas e comparação

A literatura descreve a FOUR Score como alternativa publicada para terapia intensiva neurológica e pacientes intubados, substituindo o componente verbal por reflexos de tronco encefálico. A Pediatric Glasgow Coma Scale adapta o componente verbal a faixas etárias pré-verbais. A Simplified Motor Score (apenas o componente motor, de 0 a 2) foi proposta na literatura pré-hospitalar como triagem rápida. O contexto descrito como superior para o ECG original é o trauma cranioencefálico adulto, ambiente para o qual foi validado e onde possui maior base normativa publicada[2].

Origem e versão

A versão original foi publicada por Graham Teasdale e Bryan Jennett em The Lancet, 1974, vol. 2, número 7872, páginas 81–84, sob o título "Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale" (DOI: 10.1016/s0140-6736(74)91639-0)[1]. Esta calculadora implementa a versão clássica de três componentes (ocular 1–4, verbal 1–5, motora 1–6), com somatório de 3 a 15, conforme descrita na publicação original e revisada na atualização de 40 anos publicada em The Lancet Neurology (2014)[2].

Casos de teste

Cenários numéricos verificados contra a definição publicada:

  • Caso 1: O = 4, V = 5, M = 6 → total = 15 (paciente alerta e orientado).
  • Caso 2: O = 3, V = 4, M = 5 → total = 12 (exemplo trabalhado acima).
  • Caso 3: O = 1, V = 1, M = 1 → total = 3 (pontuação mínima possível).

Verificada contra os exemplos descritos na publicação original e na revisão de 40 anos[1][2]; reporte discrepâncias pelo e-mail listado no rodapé editorial.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? A literatura descreve que discrepâncias frequentes derivam de confusão entre flexão de retirada (M = 4) e flexão anormal (M = 3), ou de pontuação verbal em paciente intubado[2]. Conferir cada componente individualmente costuma esclarecer.

Posso usar em crianças pequenas? Publica-se que o componente verbal padrão não se aplica a pré-verbais; a literatura descreve a Pediatric Glasgow Coma Scale como adaptação validada para essa população[2].

Por que esta fórmula e não outra? A Escala original possui a maior base de validação publicada para trauma cranioencefálico adulto e é parte integrante de critérios como TRISS e classificação inicial de gravidade[2]. Em terapia intensiva neurológica ou intubação, a literatura descreve a FOUR Score como complemento.

Como registrar quando um componente não pode ser avaliado? A literatura descreve a notação dos três componentes separadamente (por exemplo, O3 VNT M5), anotando "NT" para itens não-testáveis em vez de somar 1 arbitrariamente[2].

Referências

  1. Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. The Lancet. 1974;2(7872):81-84. doi:10.1016/s0140-6736(74)91639-0. PMID 4136544.
  2. Teasdale G, Maas A, Lecky F, Manley G, Stocchetti N, Murray G. The Glasgow Coma Scale at 40 years: standing the test of time. The Lancet Neurology. 2014;13(8):844-854. doi:10.1016/S1474-4422(14)70120-6. PMID 25030516.