Escore de Wells para TVP

Apresenta os critérios publicados do escore de Wells para estimar a probabilidade clínica de trombose venosa profunda. A conduta diagnóstica é exclusiva do médico assistente.

Calcular o escore de Wells (TVP)

Marque os achados presentes no paciente.

Achados clínicos
Análise integrada — Decisão de imagem em TEV

Apresentação integrada de critérios no painel Decisão de imagem em TEV. A conduta diagnóstica é exclusiva do médico assistente.

Para que serve

O escore de Wells para TVP apresenta uma forma publicada de organizar achados da história e do exame físico em uma estimativa de probabilidade clínica de trombose venosa profunda. Esta página apresenta os critérios e o cálculo da pontuação descritos na literatura, sem orientar conduta diagnóstica ou terapêutica.

Como interpretar o resultado

Cada achado soma 1 ponto e o diagnóstico alternativo subtrai 2. Na versão de três níveis publicada por Wells, 0 ou menos corresponde ao padrão classificado como baixa probabilidade, 1 a 2 como moderada e 3 ou mais como alta. Na versão de dois níveis, escore 2 ou mais é classificado pelos autores como TVP provável. A interpretação dos números na rotina assistencial é exclusiva do médico responsável.

Exemplo

Um paciente com edema de toda a perna (1), dor no trajeto venoso (1) e panturrilha mais de 3 cm maior que o outro lado (1) soma 3 pontos — padrão de risco classificado pelos autores como alta probabilidade de TVP.

Apresentação de critérios publicados

O escore apresenta uma estimativa de probabilidade baseada em critérios publicados; não confirma nem exclui a TVP. A conduta diagnóstica e terapêutica é exclusiva do médico assistente, que avalia o quadro clínico e os exames complementares pertinentes.

População validada

A literatura descreve a derivação original do escore por Wells et al. (1997) em coorte de 529 pacientes ambulatoriais com suspeita clínica de TVP em membros inferiores, avaliados em centros canadenses e norte-americanos, com mediana de idade próxima a 60 anos e distribuição equilibrada entre sexos. A revisão posterior (2003) ampliou a validação para 1.096 pacientes em 7 centros, novamente em contexto ambulatorial. Os autores reportam que o desempenho do escore não foi avaliado de forma equivalente em gestantes, pacientes hospitalizados, usuários de drogas injetáveis ou suspeita restrita a TVP de membro superior, populações descritas como limitações do instrumento.

Entradas, unidades e conversões

Cada um dos 10 itens é uma variável categórica binária (presente ou ausente). Nove achados publicados somam +1 ponto cada quando presentes; o item "diagnóstico alternativo tão ou mais provável que a TVP" subtrai 2 pontos. A medida do edema da panturrilha pressupõe diferença maior que 3 cm entre o lado sintomático e o assintomático, aferida 10 cm abaixo da tuberosidade tibial. O escore total publicado varia de −2 a +9 pontos.

Fórmula e cálculo passo a passo

Escore de Wells (TVP) = Σ (achadoi × 1) − 2 × (diagnóstico alternativo igualmente ou mais provável)

Em que cada achadoi é 1 se presente e 0 se ausente, considerando: câncer ativo, paralisia/paresia/imobilização recente, acamado ≥3 dias ou cirurgia maior em 12 semanas, dor à palpação no trajeto venoso profundo, edema de toda a perna, edema da panturrilha >3 cm em relação ao lado contralateral, edema com cacifo restrito à perna sintomática, veias colaterais superficiais não varicosas e TVP prévia documentada. A sequência publicada consiste em marcar cada item, somar os positivos e subtrair 2 quando há diagnóstico alternativo. Exemplo trabalhado: paciente com câncer ativo (+1), dor no trajeto venoso (+1), edema de toda a perna (+1) e panturrilha 4 cm maior que o lado oposto (+1), sem diagnóstico alternativo: 1+1+1+1 − 0 = 4 pontos, classificados na versão original como alta probabilidade.

Limitações conhecidas

Os autores descrevem que o escore foi derivado em ambulatório e que a aplicação em pacientes internados, gestantes ou com TVP recorrente sintomática não foi validada da mesma forma. Erros comuns de medida incluem aferir a panturrilha em alturas distintas entre os lados, classificar varizes como veias colaterais e considerar "diagnóstico alternativo" sem critério objetivo, fonte reconhecida de variabilidade interobservador. Wells et al. (2003) descrevem que, em pacientes com TVP prévia, a acurácia do escore isolado é menor e que a literatura recomenda combinação com D-dímero ou ultrassonografia conforme protocolo institucional. A pontuação não substitui exame de imagem nem dosagem de D-dímero como elementos do raciocínio publicado.

Fórmulas alternativas e comparação

A literatura descreve a versão modificada de Wells (2003) com dois níveis ("TVP provável" ≥2 vs. "TVP improvável" <2) como alternativa à versão original de três níveis (1997). Outros instrumentos publicados para suspeita de TVP incluem o escore de Constans (escore primário para TVP de membro superior) e o algoritmo AMUSE/Oudega, derivado em atenção primária. Os autores descrevem o Wells modificado como ferramenta combinada a D-dímero em ambulatório e o Oudega como instrumento testado em atenção primária europeia.

Origem e versão

O escore foi publicado originalmente por Wells PS, Anderson DR, Bormanis J et al. em The Lancet 1997;350(9094):1795-1798 (doi:10.1016/S0140-6736(97)08140-3). A revisão validada com D-dímero foi publicada por Wells PS, Anderson DR, Rodger M et al. no New England Journal of Medicine 2003;349(13):1227-1235 (doi:10.1056/NEJMoa023153). Esta página implementa os 10 critérios e os pontos descritos nessas publicações, com classificação em três níveis (baixa/moderada/alta) conforme a versão original.

Casos de teste

Cenário 1 — apenas dor no trajeto venoso (+1) e edema de toda a perna (+1), sem demais achados: resultado esperado 2 pontos, classificado pelos autores como probabilidade moderada. Cenário 2 — câncer ativo (+1), acamado ≥3 dias (+1), edema da panturrilha >3 cm (+1) e TVP prévia (+1): resultado esperado 4 pontos, classificado como alta. Cenário 3 — dor no trajeto venoso (+1) com diagnóstico alternativo igualmente provável (−2): resultado esperado −1 ponto, classificado como baixa probabilidade. Estes cenários foram verificados contra exemplos numéricos descritos em Wells et al. (1997, 2003); reporte discrepâncias ao contato editorial.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? Confira se cada achado foi marcado conforme a descrição publicada, em especial a aferição da panturrilha 10 cm abaixo da tuberosidade tibial e a definição de "diagnóstico alternativo igualmente provável". Persistindo divergência com o cálculo manual, a interpretação assistencial pertence ao médico responsável.

Posso usar em gestantes ou pacientes internados? A literatura descreve que o escore foi derivado e validado em pacientes ambulatoriais; o desempenho em gestantes, internados e em suspeita de TVP de membro superior não foi avaliado da mesma forma pelos autores originais.

Por que esta fórmula e não outra? O escore de Wells é um dos mais publicados para estimativa de probabilidade pré-teste de TVP de membros inferiores em ambulatório. A versão modificada (dois níveis) e o algoritmo de Oudega aparecem na literatura como alternativas em cenários específicos descritos nas referências.

O escore confirma ou exclui TVP? Os autores descrevem que o escore estima probabilidade clínica pré-teste e que a confirmação ou exclusão depende de exames complementares (D-dímero, ultrassonografia com Doppler) conforme protocolo institucional.

Referências

  1. Wells PS, Anderson DR, Bormanis J, et al. Value of assessment of pretest probability of deep-vein thrombosis in clinical management. The Lancet. 1997;350(9094):1795-1798. doi:10.1016/S0140-6736(97)08140-3. PMID 9428249.
  2. Wells PS, Anderson DR, Rodger M, et al. Evaluation of D-dimer in the diagnosis of suspected deep-vein thrombosis. New England Journal of Medicine. 2003;349(13):1227-1235. doi:10.1056/NEJMoa023153. PMID 14507948.