Escore CHA₂DS₂-VASc

Estima o risco anual de AVC e tromboembolismo em pacientes com fibrilação atrial não valvar e apoia a decisão sobre anticoagulação.

Calcular o CHA₂DS₂-VASc

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Dados do paciente
anos
Análise integrada — Anticoagulação em FA

Combine com o HAS-BLED no painel de escores em FA para ver, lado a lado, as faixas publicadas de risco de AVC e sangramento.

Para que serve

O CHA₂DS₂-VASc estima o risco de AVC isquêmico e tromboembolismo sistêmico em pessoas com fibrilação atrial não valvar. Esta página reproduz o escore publicado em caráter educacional.

Como interpretar o resultado

Cada fator vale 1 ou 2 pontos, num total de 0 a 9. Quanto maior o escore, maior o risco anual de AVC nas coortes publicadas. A decisão clínica não é definida por esta calculadora.

População validada

A literatura descreve que o CHA₂DS₂-VASc foi derivado por Lip e colaboradores a partir da coorte Euro Heart Survey on Atrial Fibrillation (n=1.084 pacientes com FA não valvar, multicêntrico europeu) e publicado em 2010 na Chest [1]. Estudos de validação posteriores aplicaram o escore em populações maiores, como a coorte sueca descrita por Friberg, Rosenqvist e Lip com 182.678 pacientes com FA [2]. Publica-se que o desempenho é melhor descrito em pacientes adultos com FA não valvar; a literatura registra limitação em FA valvar (estenose mitral reumática moderada/grave ou prótese mecânica), gestação e pacientes pediátricos, populações para as quais o escore não foi validado.

Entradas, unidades e conversões

A calculadora utiliza idade (em anos completos; faixa razoável 18–110) e sexo biológico (Masculino/Feminino). As demais entradas são binárias (presente/ausente): insuficiência cardíaca/disfunção ventricular, hipertensão arterial, diabetes mellitus, AVC/AIT/tromboembolismo prévio e doença vascular (IAM, doença arterial periférica ou placa aórtica). Não há conversões de unidade. A idade é categorizada em três faixas (<65, 65–74, ≥75) conforme o critério original.

Fórmula e cálculo passo a passo

A fórmula original soma pontos atribuídos a cada critério, segundo o acrônimo CHA₂DS₂-VASc:

Escore = C (ICC, +1) + H (HAS, +1) + A₂ (Idade ≥75, +2) + D (DM, +1) + S₂ (AVC/AIT prévio, +2) + V (vascular, +1) + A (Idade 65–74, +1) + Sc (Sexo feminino, +1)

Significado: o subscrito "2" indica os fatores que pontuam 2 (idade ≥75 anos e AVC/AIT prévio). O total varia de 0 a 9. Sequência: (1) classificar idade em <65 (0), 65–74 (1) ou ≥75 (2); (2) somar 1 ponto se sexo feminino; (3) adicionar 1 ponto para cada comorbidade presente (ICC, HAS, DM, vascular); (4) somar 2 pontos se houver AVC/AIT/embolia prévia. Exemplo trabalhado: mulher de 78 anos, hipertensa, diabética — idade ≥75 (+2), sexo feminino (+1), HAS (+1), DM (+1), sem AVC prévio (0), sem doença vascular (0), sem ICC (0) → total = 2+1+1+1 = 5 pontos; risco anual de AVC publicado em torno de 6,7% [2].

Limitações conhecidas

A literatura descreve que o escore não foi validado em FA valvar (estenose mitral reumática moderada/grave ou prótese mecânica), nem em gestantes, crianças ou pacientes sem FA documentada. Erros comuns de aplicação incluem: classificar como "vascular" apenas com fatores de risco coronariano sem IAM, doença arterial periférica ou placa aórtica documentada; omitir o ponto adicional para sexo feminino quando presente; e contar AIT como AVC quando o critério original já considera ambos no mesmo item de 2 pontos. Publica-se que, em pacientes com escore 1 (homem) ou 2 (mulher) atribuíveis apenas ao sexo, a decisão terapêutica é mais incerta e a literatura sugere considerar escores complementares como o ABC-stroke ou o ATRIA [1,2].

Fórmulas alternativas e comparação

O CHA₂DS₂-VASc sucedeu o CHADS₂ (Gage et al., 2001), que não incluía os pontos para sexo feminino, idade 65–74 e doença vascular. Publica-se que o CHA₂DS₂-VASc é superior na identificação de pacientes de "baixo risco verdadeiro" (escore 0), reduzindo classificações falsamente baixas do CHADS₂. Estudos validaram também escores como ABC-stroke (Hijazi et al., 2016), baseado em biomarcadores (troponina, NT-proBNP), e ATRIA (Singer et al., 2013), descritos em coortes específicas. O CHA₂DS₂-VASc permanece como o escore mais amplamente referenciado em diretrizes internacionais para FA não valvar [1,2].

Origem e versão

O escore foi publicado originalmente por Lip GYH, Nieuwlaat R, Pisters R, Lane DA e Crijns HJGM em fevereiro de 2010 na revista Chest (vol. 137, n. 2, p. 263–272; DOI: 10.1378/chest.09-1584) [1]. Esta página implementa a versão original de 2010, com a categorização de idade em três faixas (<65, 65–74, ≥75) e os percentuais anuais de AVC derivados da coorte de validação sueca descrita por Friberg, Rosenqvist e Lip em 2012 [2].

Casos de teste

Cenários verificados contra os exemplos publicados em [1] e [2]:

  • Caso 1: homem de 60 anos, sem comorbidades → 0 pontos; risco anual publicado próximo de 0%.
  • Caso 2: mulher de 70 anos com HAS e DM → 1 (sexo) + 1 (idade 65–74) + 1 (HAS) + 1 (DM) = 4 pontos; risco anual publicado em torno de 4,0%.
  • Caso 3: homem de 80 anos com ICC, HAS, DM e AVC prévio → 2 (idade) + 1 (ICC) + 1 (HAS) + 1 (DM) + 2 (AVC) = 7 pontos; risco anual publicado em torno de 9,6%.

Verificada contra exemplos em [1,2]; reporte discrepâncias pelo e-mail editorial.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? Confira se a idade foi classificada na faixa correta (<65, 65–74, ≥75) e se o sexo feminino acrescentou 1 ponto. Reconte manualmente usando a fórmula passo a passo. Discrepâncias persistentes podem ser reportadas pelo e-mail editorial.

Posso usar em pacientes com FA valvar? A literatura descreve que o escore não foi validado em FA valvar (estenose mitral reumática moderada/grave ou prótese mecânica) [1]. Para essas populações, publicações de cardiologia descrevem critérios distintos.

Por que esta fórmula e não o CHADS₂? Publica-se que o CHA₂DS₂-VASc melhora a identificação de pacientes de baixo risco verdadeiro e inclui fatores adicionais (sexo, idade intermediária, doença vascular) ausentes no CHADS₂ original [1].

O risco anual exibido vale para qualquer paciente? Os percentuais foram derivados da coorte sueca descrita em [2] e refletem médias populacionais; o risco individual pode variar conforme outras características clínicas não capturadas pelo escore.

A decisão é individual

O escore estima risco, mas não decide sozinho. Qualquer aplicação clínica deve considerar o risco de sangramento, as preferências do paciente, contraindicações e avaliação profissional completa.

Referências

  1. Lip GYH, Nieuwlaat R, Pisters R, Lane DA, Crijns HJGM. Refining clinical risk stratification for predicting stroke and thromboembolism in atrial fibrillation. Chest. 2010;137(2):263-272. doi:10.1378/chest.09-1584. PMID 19762550.
  2. Friberg L, Rosenqvist M, Lip GYH. Evaluation of risk stratification schemes for ischaemic stroke and bleeding in 182 678 patients with atrial fibrillation. European Heart Journal. 2012;33(12):1500-1510. doi:10.1093/eurheartj/ehr488. PMID 22246443.