Fórmula de Parkland

Estima o volume de cristaloide necessário nas primeiras 24 horas após uma queimadura extensa, a partir do peso e da superfície corporal queimada.

Calcular a reposição volêmica

Informe o peso e a porcentagem de superfície corporal queimada.

Dados do paciente
kg
%

Para que serve

A fórmula de Parkland estima o volume de cristaloide necessário nas primeiras 24 horas após uma queimadura extensa, para repor as perdas e prevenir o choque hipovolêmico.

Como interpretar o resultado

O volume total é dividido em duas etapas: metade nas primeiras 8 horas contadas a partir do momento da queimadura (não da chegada ao hospital) e a outra metade nas 16 horas seguintes. A velocidade deve ser ajustada continuamente, tendo o débito urinário como principal guia (cerca de 0,5 mL/kg/h no adulto).

Volume em 24 h = 4 mL × peso (kg) × superfície corporal queimada (%)

Exemplo

Um adulto de 70 kg com 40% de superfície queimada precisa de 4 × 70 × 40 = 11 200 mL em 24 horas: 5 600 mL nas primeiras 8 horas (cerca de 700 mL/h) e 5 600 mL nas 16 horas seguintes.

Apenas uma estimativa inicial

A fórmula publicada calcula um ponto de partida — a literatura descreve titulação pela resposta clínica, sobretudo o débito urinário e os sinais de perfusão. A fórmula original aplica-se apenas a queimaduras de segundo e terceiro graus. A conduta clínica e o ajuste de infusão são exclusivos do médico assistente, conforme o protocolo do serviço de queimados.

População validada

A fórmula original foi derivada por Baxter e Shires no Parkland Memorial Hospital com base em estudos de reposição em adultos vítimas de queimaduras térmicas extensas (Baxter & Shires, 1968). A literatura descreve sua utilização majoritária em adultos com queimaduras de segundo e terceiro graus envolvendo mais de 15-20% da superfície corporal. Publicações apontam limitações em pediatria (onde a necessidade basal hídrica é maior e a relação peso/superfície difere), em queimados elétricos de alta voltagem (com rabdomiólise) e em queimaduras por inalação, situações nas quais as diretrizes ISBI descrevem necessidades de ajuste (ISBI, 2016).

Entradas, unidades e conversões

A calculadora utiliza duas entradas: peso corporal em quilogramas (kg) e superfície corporal queimada (SCQ) em percentual (%). Para conversão de peso de libras para kg, a literatura usa fator 0,4536. A SCQ é tradicionalmente estimada pela "regra dos nove" de Wallace ou pela tabela de Lund-Browder. Faixas de sanidade descritas: peso entre 1 e 250 kg; SCQ entre 0 e 100%. Apenas queimaduras de segundo e terceiro graus são computadas na SCQ pela formulação clássica.

Fórmula e cálculo passo a passo

Volume em 24 h (mL) = 4 × Peso (kg) × SCQ (%)

Onde: 4 é o coeficiente de Parkland em mL/kg/% de SCQ; Peso é a massa corporal em kg; SCQ é o percentual de superfície queimada (segundo e terceiro graus). A formulação original prevê: (1) calcular o volume total em 24 h pela fórmula acima; (2) administrar metade desse volume nas primeiras 8 horas contadas a partir do momento da queimadura (e não da chegada hospitalar); (3) administrar a metade restante nas 16 horas seguintes. Exemplo trabalhado: adulto de 70 kg com 40% de SCQ. Substituindo: 4 × 70 × 40 = 11 200 mL em 24 h. Primeiras 8 h: 5 600 mL (≈ 700 mL/h). Próximas 16 h: 5 600 mL (≈ 350 mL/h). O cristaloide descrito na publicação original é o Ringer lactato.

Limitações conhecidas

A literatura descreve que a fórmula calcula apenas um ponto de partida, não a reposição final, que é titulada pela resposta clínica (débito urinário, perfusão, lactato). Erros comuns descritos: estimar a SCQ contando queimaduras superficiais (primeiro grau) — o que infla o volume — ou usar o peso pré-queimadura em pacientes obesos. Publica-se que a aplicação isolada em pediatria pode subestimar necessidades, motivo pelo qual a fórmula de Galveston e variantes foram propostas (ISBI, 2016). Em queimaduras elétricas de alta voltagem com mioglobinúria, a literatura descreve volumes superiores aos estimados pela fórmula. A "fluid creep" — administração excessiva por seguimento rígido da fórmula sem titulação — é uma complicação publicada na literatura de queimados.

Fórmulas alternativas e comparação

A literatura descreve diversas alternativas: fórmula de Brooke modificada (2 mL × kg × %SCQ, cristaloide); fórmula de Galveston em pediatria (5 000 mL × m² queimados + 2 000 mL × m² total); fórmula de ABA consenso (2-4 mL × kg × %SCQ como faixa inicial); fórmula de Evans (associa coloide). Publicações apontam que volumes menores (Brooke modificada) têm sido associados a menos edema e fluid creep, enquanto Parkland permanece amplamente descrita como referência histórica e didática (ISBI, 2016).

Origem e versão

Publicada por Charles R. Baxter e G. Tom Shires em 1968 nos Annals of the New York Academy of Sciences, com base em experiência no Parkland Memorial Hospital, Dallas (DOI: 10.1111/j.1749-6632.1968.tb14738.x). A versão implementada nesta calculadora segue a formulação original: 4 mL × kg × %SCQ em 24 h, com divisão 50% nas primeiras 8 h e 50% nas 16 h seguintes, conforme descrito por Baxter e Shires (1968) e mantido como referência histórica nas diretrizes ISBI (2016).

Casos de teste

Cenários numéricos verificados contra a formulação publicada:

  • Adulto de 70 kg, 40% SCQ: 4 × 70 × 40 = 11 200 mL em 24 h; 5 600 mL nas primeiras 8 h (≈ 700 mL/h); 5 600 mL nas 16 h seguintes (≈ 350 mL/h).
  • Adulto de 80 kg, 25% SCQ: 4 × 80 × 25 = 8 000 mL em 24 h; 4 000 mL nas primeiras 8 h (500 mL/h); 4 000 mL nas 16 h seguintes (250 mL/h).
  • Adulto de 60 kg, 50% SCQ: 4 × 60 × 50 = 12 000 mL em 24 h; 6 000 mL nas primeiras 8 h (750 mL/h); 6 000 mL nas 16 h seguintes (375 mL/h).

Verificada contra exemplos numéricos descritos em Baxter & Shires (1968); reporte discrepâncias pelo contato editorial.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? Confira a unidade do peso (kg, não lb), o percentual de SCQ (0-100, não fração) e se foram excluídas queimaduras de primeiro grau do cálculo da SCQ, conforme a literatura clássica descreve.

Posso usar em crianças? A literatura descreve que a aplicação isolada em pediatria pode subestimar a necessidade hídrica, dado que crianças têm maior relação superfície/peso e maior demanda basal. Publica-se que fórmulas pediátricas específicas (Galveston) ou a adição da manutenção hídrica de Holliday-Segar à reposição são alternativas descritas (ISBI, 2016).

Por que Parkland e não Brooke modificada? Publicações descrevem que Parkland (4 mL/kg/%) permanece como referência histórica e didática mais difundida, enquanto Brooke modificada (2 mL/kg/%) tem sido associada na literatura recente a menor risco de fluid creep. A escolha entre fórmulas é descrita como dependente do protocolo institucional e da resposta clínica titulada (ISBI, 2016).

O tempo conta a partir de quando? A formulação original descrita por Baxter e Shires (1968) define que as primeiras 8 horas são contadas a partir do momento da queimadura, e não da admissão hospitalar — tempo já decorrido é descontado da janela inicial.

Referências

  1. Baxter CR, Shires T. Physiological response to crystalloid resuscitation of severe burns. Annals of the New York Academy of Sciences. 1968;150(3):874-894. doi:10.1111/j.1749-6632.1968.tb14738.x. PMID 4973463.
  2. ISBI Practice Guidelines Committee. ISBI Practice Guidelines for Burn Care. Burns. 2016;42(5):953-1021. doi:10.1016/j.burns.2016.05.013. PMID 27542292.