Calculadora de Ânion Gap

O ânion gap ajuda a classificar a acidose metabólica. Informe os eletrólitos e, se quiser, a albumina para obter o valor corrigido.

Calcular o ânion gap

Informe sódio, cloro e bicarbonato. A albumina é opcional.

Dados laboratoriais
mEq/L
mEq/L
mEq/L
g/dL
Análise integrada — Distúrbios ácido-base

Cruze com sódio corrigido e osmolaridade no painel Distúrbios ácido-base e osmolares para classificar a alteração.

Para que serve

O ânion gap é a diferença entre os principais cátions e ânions dosados no plasma. Ele estima a quantidade de ânions não medidos e é uma ferramenta essencial para classificar a acidose metabólica em acidose com ânion gap aumentado (por exemplo, cetoacidose, acidose láctica, intoxicações) e acidose com ânion gap normal (hiperclorêmica).

Como interpretar o resultado

O valor normal do ânion gap fica em torno de 8 a 12 mEq/L (a faixa varia conforme o método do laboratório). Como a albumina é o principal ânion não medido, na hipoalbuminemia o ânion gap deve ser corrigido — acrescenta-se cerca de 2,5 mEq/L para cada 1 g/dL de albumina abaixo de 4 g/dL. Ignorar essa correção pode mascarar uma acidose com ânion gap aumentado.

Ânion gap = sódio − (cloro + bicarbonato)
Corrigido = ânion gap + 2,5 × (4 − albumina)

Exemplo

Um paciente com sódio de 140 mEq/L, cloro de 104 mEq/L e bicarbonato de 24 mEq/L tem ânion gap = 140 − (104 + 24) = 12,0 mEq/L — no limite superior da faixa normal.

Limitações

A faixa de referência depende do método do laboratório e alguns serviços incluem o potássio no cálculo. Sempre corrija o ânion gap na hipoalbuminemia e interprete o resultado dentro do contexto clínico e da gasometria completa.

População validada

A literatura descreve o ânion gap como ferramenta investigada inicialmente em adultos hospitalizados com distúrbios ácido-base, com extensa caracterização em populações de UTI e nefrologia (Kraut e Madias, 2007). Publica-se que a faixa de referência foi estabelecida em coortes mistas de adultos, sem estratificação ampla por etnia. Figge e colaboradores (1998) validaram a correção pela albumina em pacientes críticos com hipoalbuminemia. A literatura indica limitações em pediatria, gestantes e pacientes com distúrbios proteicos significativos, onde a faixa de normalidade pode diferir do intervalo descrito para adultos. Métodos laboratoriais distintos (eletrodos íon-seletivos versus coulometria) deslocam o intervalo de referência.

Entradas, unidades e conversões

A fórmula utiliza sódio (mEq/L; equivalente a mmol/L para íon monovalente), cloro (mEq/L) e bicarbonato (mEq/L; também reportado como HCO3- ou CO2 total). A albumina (opcional) entra em g/dL; para converter de g/L, divide-se por 10. Faixas de sanidade descritas: sódio 120-160, cloro 80-120, bicarbonato 5-45, albumina 1-6. Valores fora desses limites sugerem erro de digitação ou amostra inadequada.

Fórmula e cálculo passo a passo

Ânion gap = [Na+] − ([Cl-] + [HCO3-])
Ânion gap corrigido = ânion gap + 2,5 × (4 − albumina)

A fórmula original calcula a diferença entre o cátion mensurado (sódio) e os ânions mensurados (cloro e bicarbonato), representando os ânions não medidos (proteínas, fosfato, sulfato, ácidos orgânicos). A sequência é: (1) somam-se cloro e bicarbonato; (2) subtrai-se do sódio; (3) se albumina estiver disponível e abaixo de 4 g/dL, soma-se 2,5 mEq/L por g/dL de déficit. Exemplo trabalhado: sódio = 138, cloro = 100, bicarbonato = 18, albumina = 2,5 g/dL. Ânion gap = 138 − (100 + 18) = 20 mEq/L. Correção = 20 + 2,5 × (4 − 2,5) = 20 + 3,75 = 23,8 mEq/L.

Limitações conhecidas

A literatura descreve que o ânion gap não se aplica isoladamente sem contexto da gasometria arterial e do quadro clínico. Erros comuns de medida incluem: hemólise (eleva potássio sem afetar diretamente os ânions calculados), hiperlipidemia ou hiperproteinemia severa (pseudo-hiponatremia em métodos indiretos), bromismo (eleva cloro falsamente reduzindo o gap) e demora no processamento (perda de bicarbonato). Publica-se que em hipoalbuminemia não corrigida o gap pode parecer normal mascarando acidose orgânica (Figge et al., 1998). Em pacientes com paraproteinemias, mieloma múltiplo ou intoxicação por lítio, o gap pode apresentar-se reduzido ou negativo. A literatura recomenda usar a versão corrigida pela albumina em pacientes críticos.

Fórmulas alternativas e comparação

Algumas publicações incluem o potássio no cálculo: AG = (Na + K) − (Cl + HCO3), descrita como superior em pacientes com distúrbios significativos do potássio, com faixa de referência deslocada (12-16 mEq/L). A abordagem de Stewart (strong ion gap) calcula o gap a partir de princípios físico-químicos e é descrita como mais sensível em pacientes críticos complexos. A literatura indica que a fórmula tradicional sem potássio é a mais utilizada por simplicidade e por o potássio ter contribuição pequena.

Origem e versão

O conceito de ânion gap foi popularizado por Emmett e Narins em Medicine (Baltimore) em 1977. A correção pela albumina foi publicada por Figge, Jabor, Kazda e Fencl em Critical Care Medicine em 1998 (doi:10.1097/00003246-199811000-00019). A revisão moderna mais citada é de Kraut e Madias (CJASN, 2007). Esta página implementa a fórmula tradicional sem potássio com correção opcional pela albumina (fator 2,5 por g/dL).

Casos de teste

Cenários numéricos verificados contra os exemplos da literatura citada:

  • Caso 1 (normal): Na 140, Cl 104, HCO3 24 → ânion gap = 12,0 mEq/L.
  • Caso 2 (acidose com gap aumentado): Na 135, Cl 95, HCO3 10 → ânion gap = 30,0 mEq/L.
  • Caso 3 (hipoalbuminemia mascarando): Na 138, Cl 110, HCO3 16, albumina 2,0 → ânion gap = 12,0; corrigido = 17,0 mEq/L.

Verificada contra exemplos em Kraut e Madias (2007) e Figge et al. (1998); reporte discrepâncias.

Perguntas frequentes

O que faço se o resultado parecer errado? A literatura descreve verificar se as unidades estão em mEq/L (não mmol/L para todos os íons), confirmar se o laboratório usa método direto ou indireto e checar se a albumina foi inserida em g/dL.

Posso usar em pediatria? A faixa de referência descrita aqui foi estabelecida em adultos; publica-se que valores normais em neonatos e lactentes podem diferir.

Por que esta fórmula em vez da que inclui potássio? A literatura indica que a contribuição do potássio é pequena (3-5 mEq/L) e a versão sem potássio é a mais difundida nos textos de referência (Kraut e Madias, 2007).

Quando devo corrigir pela albumina? Publica-se que a correção é descrita como relevante quando albumina < 4 g/dL, especialmente em pacientes críticos (Figge et al., 1998).

Por que meu paciente tem ânion gap negativo? A literatura associa gap negativo a paraproteinemias (mieloma), intoxicação por lítio, bromismo ou erro analítico.

Referências

  1. Kraut JA, Madias NE. Serum anion gap: its uses and limitations in clinical medicine. Clinical Journal of the American Society of Nephrology. 2007;2(1):162-174. doi:10.2215/CJN.03020906. PMID 17699401.
  2. Figge J, Jabor A, Kazda A, Fencl V. Anion gap and hypoalbuminemia. Critical Care Medicine. 1998;26(11):1807-1810. doi:10.1097/00003246-199811000-00019. PMID 9824071.