Gasometria: tabela interpretativa publicada

Apresenta a tabela interpretativa clássica (Stewart / Henderson-Hasselbalch) para classificação de padrões na gasometria arterial. A partir dos valores informados, calcula ânion gap, sódio corrigido (em hiperglicemia) e gap osmolar (calculada vs medida) e exibe o padrão laboratorial correspondente segundo a tabela publicada.

Valores laboratoriais informados

Preencha o que tiver disponível — a tabela apresenta o padrão correspondente aos valores informados.

Eletrólitos e gasometria
mEq/L
mEq/L
mEq/L
g/dL
Glicemia e ureia
mg/dL
mg/dL
Osmolaridade medida (opcional)
mOsm/kg

Como ler a tabela

Na literatura, o ânion gap classifica os padrões de acidose metabólica em "com gap aumentado" (mnemônico MUDPILES) e "sem gap aumentado" (perda de bicarbonato). O sódio corrigido ajusta a natremia na presença de hiperglicemia (sódio cai ~1,6 a 2,4 mEq/L para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100). A osmolaridade calculada, comparada com a medida, define o gap osmolar: valores > 10 mOsm/kg estão descritos em presença de metanol, etilenoglicol ou manitol no soro.

A página apenas reproduz a tabela interpretativa publicada e o cálculo dos índices. Diagnóstico clínico definitivo, hipóteses etiológicas e aplicação prática são responsabilidade exclusiva do médico assistente.

População validada

A abordagem fisiológica de Henderson-Hasselbalch foi descrita inicialmente em adultos hospitalizados; a revisão de Berend et al. (NEJM 2014) compila séries em pacientes adultos de unidades de emergência e terapia intensiva, sem estratificação por sexo ou etnia. A correção do ânion gap pela albumina foi validada por Figge et al. em coortes de UTI (n > 150). Publica-se que faixas de referência podem variar em gestantes (alcalose respiratória basal descrita), em crianças pequenas (bicarbonato basal mais baixo) e em pacientes em hemodiálise, contextos em que a literatura descreve limitações da tabela clássica.

Entradas, unidades e conversões

Sódio, cloro e bicarbonato em mEq/L (equivalente numérico a mmol/L para íons monovalentes). Albumina em g/dL (multiplicar por 10 para g/L). Glicemia em mg/dL (dividir por 18 para mmol/L). Ureia em mg/dL (BUN = ureia/2,14; dividir por 2,8 para BUN em mmol/L). Osmolaridade em mOsm/kg. Faixas plausíveis publicadas: Na 120-160, Cl 80-120, HCO3 5-40, albumina 1-5, glicemia 40-1000, ureia 5-300, osmolaridade 260-360.

Fórmula e cálculo passo a passo

Ânion gap = Na − (Cl + HCO₃)

AG corrigido = AG + 2,5 × (4,0 − albumina g/dL)

Na corrigido = Na + 1,6 × ((glicemia − 100) / 100)

Osmolaridade calculada = 2 × Na + (glicemia / 18) + (ureia / 6)

Gap osmolar = Osm medida − Osm calculada

Variáveis: Na, Cl, HCO₃ em mEq/L; albumina em g/dL; glicemia e ureia em mg/dL. A sequência aplicada na página: primeiro calcula o ânion gap, em seguida corrige pela albumina quando informada, depois calcula o sódio corrigido e por fim a osmolaridade. Exemplo trabalhado com Na 133, Cl 95, HCO₃ 12, albumina 3,8, glicemia 420, ureia 38: AG = 133 − (95 + 12) = 26 mEq/L; AG corrigido = 26 + 2,5 × (4,0 − 3,8) = 26,5 mEq/L; Na corrigido = 133 + 1,6 × ((420 − 100)/100) = 133 + 5,12 = 138,1 mEq/L; Osm calculada = 2 × 133 + 420/18 + 38/6 = 266 + 23,3 + 6,3 = 295,6 mOsm/kg.

Limitações conhecidas

Publica-se que a tabela interpretativa pressupõe estado estável; em distúrbios mistos rápidos (ex.: parada cardiorrespiratória recente) o padrão laboratorial pode não refletir o estado fisiopatológico. Erros pré-analíticos descritos: hemólise eleva K e altera HCO₃; demora no transporte da seringa de gasometria altera pH/pCO₂; pseudo-hiponatremia em hiperlipidemia ou hiperproteinemia distorce Na sérico (descrita com métodos indiretos). O ânion gap não corrigido subestima acidose em hipoalbuminemia (descrito em UTI). Em insuficiência renal crônica avançada, a literatura descreve que ureia eleva a osmolaridade calculada sem necessariamente indicar tóxico exógeno. O fator 1,6 para Na corrigido é discutido — Hillier et al. (1999) publicaram fator 2,4.

Fórmulas alternativas e comparação

Para ânion gap: a fórmula clássica (Na − Cl − HCO₃) compete com a versão estendida (Na + K − Cl − HCO₃); a literatura descreve a clássica como padrão por menor variabilidade do K. Para sódio corrigido em hiperglicemia: fator de Katz (1,6 mEq/L por 100 mg/dL) versus fator de Hillier (2,4) — o Hillier foi derivado em voluntários submetidos a infusão de glicose hipertônica e é descrito como melhor para glicemias > 400. Para osmolaridade: fórmula de Smithline-Gardner versus Worthley; a página utiliza a de uso clínico mais amplo (Smithline).

Origem e versão

A equação de Henderson-Hasselbalch foi publicada por Karl Albert Hasselbalch em Biochemische Zeitschrift (1916), a partir da equação de Lawrence Henderson (1908). O ânion gap clínico foi popularizado por Emmett & Narins, Medicine (Baltimore), 1977. A correção pela albumina é de Figge et al., J Lab Clin Med, 1992. A correção do sódio pela glicemia atribuída a Katz, NEJM, 1973. A página implementa a versão consolidada na revisão de Berend et al. (NEJM 2014).

Casos de teste

Caso 1: Na 140, Cl 104, HCO₃ 24, albumina 4,0 — AG esperado 12 mEq/L, AG corrigido 12 mEq/L (referência publicada). Caso 2: Na 133, Cl 95, HCO₃ 12, albumina 3,8, glicemia 420 — AG 26, AG corrigido 26,5, Na corrigido 138,1 (padrão compatível com acidose de gap elevado por cetoacidose, descrito por Berend 2014). Caso 3: Na 145, Cl 110, HCO₃ 18, albumina 2,0 — AG 17, AG corrigido 22 (publica-se que a correção pela hipoalbuminemia desmascara gap elevado). Verificada contra exemplos em Berend et al. (NEJM 2014); reporte discrepâncias para o e-mail do rodapé.

FAQ

O que faço se o resultado parecer errado? A literatura descreve verificar unidades (mEq/L vs mmol/L) e estado pré-analítico da amostra (hemólise, tempo de transporte). Discrepâncias persistentes podem indicar pseudo-hiponatremia ou interferência laboratorial descrita.

Posso usar em crianças ou gestantes? Publica-se que as faixas de referência foram derivadas predominantemente em adultos não-gestantes. Em pediatria, valores basais de HCO₃ são descritos como mais baixos; em gestantes, descreve-se alcalose respiratória crônica fisiológica.

Por que esta fórmula vs outra? A página apresenta a versão de Berend (NEJM 2014) por ser a revisão de referência atual. Outras versões (fator de Hillier para Na, AG estendido com K) estão descritas na seção "Fórmulas alternativas".

Por que o ânion gap mudou ao informar a albumina? A literatura descreve que cada 1 g/dL de queda na albumina sérica reduz o ânion gap medido em ~2,5 mEq/L (Figge, 1992). A correção restaura a sensibilidade do ânion gap para detectar ânions não-mensurados em hipoalbuminemia.

Referências

  1. Berend K, et al. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med. 2014;371(15):1434-45. doi:10.1056/NEJMra1003327.